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Tropa de Elite 2, Saiba como é o filme

Postado por em quarta-feira, 6 outubro 2010Nenhum Comentário

Longa teve pré-estreia para imprensa e convidados

De óculos escuros depois de uma noitada de comemoração, o diretor José Padilha (a partir da esq.), o produtor Marcos Prado, os atores Wagner Moura e Sandro Rocha e o montador Daniel Rezende participaram de entrevista coletiva de divulgação de 'Tropa de elite 2' em Paulínia (Foto: Rogerio Resende/Divulgação)

Esqueça o filme divertido de 2007, com bordões pop e esperança logo após uma desilusão. Tropa de Elite 2 – Agora o Inimigo É Outro, exibido em pré-estreia na noite desta terça (5) em Paulínia, é muito mais sério, pessimista, denso e corajoso, sensações que saltam no calor do pós-sessão.

Se José Padilha tinha dado a cara a tapa em Tropa de Elite, a passagem do capitão a coronel Nascimento provocou um filme para-raios da sociedade brasileira.

Esse aumento tanto da contundência como do pessimismo tem um porquê: já não havia mais a necessidade de explicar cada um dos personagens. Todo mundo sabe quem é e o que pensa o Bope do filme, como funciona a cabeça do capitão Nascimento e onde Padilha aponta sua câmera-metralhadora. Já que não há necessidade de cerimônias, quando as primeiras imagens de Tropa de Elite 2 ganham a tela, o filme começa de fato. O terreno está estabelecido e bola para frente.

A trinca direção-roteiro-montagem cria uma sinuca de bico. Como o filme está inteiramente calcado em situações reais, óbvio que gera discussão e debate em torno de suas afirmações. Ao mesmo tempo, tem uma imensa capacidade de sucção do espectador, e, por ser mais contundente que o primeiro, a digestão é até mais demorada.

Traduzindo: percebe-se como o filme cutuca diversos interesses (drogas, política, milícias, corrupção, desigualdade etc), mas a reflexão sobre tudo o que se passa durante a projeção fica para depois. Na verdade, para bem depois do filme porque durante não há muito tempo.

Em Tropa de Elite, o sistema e seus tentáculos para manter tudo como está era o protagonista do filme. Já na complexa trama da sequência, o crescimento das milícias nos morros cariocas é a estrela do filme, tendo em coronel Nascimento o responsável por interligar os núcleos a serem apresentados. Grosso modo: Governo e Estado, com a Secretaria de Segurança Pública logo abaixo; o Bope, cujo protagonista é André Mathias (André Ramiro), e a polícia, representada por Fábio (Milhem Cortaz, o ex-02); a disputa entre tráfico e milícia; Direitos Humanos e sociedade, ilustrados na figura do ativista Diogo Ferraz (Irandhir Santos); a imprensa, tanto com a corajosa repórter Clara (Tainá Müller) como o sensacionalista apresentador Fortunato (André Mattos).

Claro que os primeiros ataques de coronel Nascimento vão aos Direitos Humanos. Porém, o personagem de Wagner Moura vai de um lado a outro, percebendo que sua avaliação nunca saíra da superfície. Tropa de Elite 2 resolve ir mais a fundo, juntar algumas peças, fugir da alienação de seu protagonista e, com o mesmo ritmo alucinante do primeiro, chega a um entroncamento do qual não mais sairá: apesar de interligar as peças do jogo político, não sabemos as soluções.

Escrever logo após o final do filme é ter de lidar com um impacto avassalador. Isso não é pouco num momento de produção excessiva de imagens e informação. Ainda mais com um filme que dá porrada em tanta gente e está aberto a receber porrada de todos os lados. Sobra chumbo grosso para o “Sistema”, “o povo dos Direitos Humanos”, a politicagem, imprensa e por aí vai. Um filme sofisticado, que deixa claras suas conexões sem ser didático, com uma “pegada” de ação, mas cheio de espaços para conflitos psicológicos.

Na costura do filme, direção-roteiro-montagem têm uma sintonia fina, assim como o trabalho de atores. Wagner Moura faz um arco da explosão do primeiro filme à implosão do segundo. Sua atuação acompanha integralmente a essência do filme: diferente do antecessor, a continuação é voltada para dentro, algo que se reflete no semblante acabado de Nascimento. Assim como o personagem percebe suas limitações, o filme chega a um entroncamento do qual não mais sairá.

Temos também Irandhir Santos (que cara bom!) no papel mais visceral de sua ascendente carreira. No conjunto, os personagens colocam suas emoções para fora. Cabe tanto a Moura quanto a Santos o abacaxi de conviver com o que permanece dentro.

Num primeiro momento, o filme parece um soco no estômago, mas depois sente-se que é uma desilusão com a miséria moral e humana. É só olhar para a cara de Wagner Moura que tudo está dito: “eu sou um nada”.






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